segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sobre o desenho


Madrugada de 04 de abril, as vésperas do meu ano novo, refletindo sobre o ciclo que se encerra hoje e que se renovará com mais um ano de vida, fazendo um retrospecto de minha produção como ilustrador, desenhista, artista enfim, percebi que sou um desenhista que mais desenha na mente do que no papel.

Atualmente tenho produzido pouco em termos de quantidade, em comparação a até alguns anos atrás. Mas, ao mesmo tempo percebi quando organizando minhas bagunças, a quantidade de desenhos, pinturas, fotografias que já fiz, e a minha obsessão e compulsão desde a infância, e ainda mais forte quando criança, por desenho.

Com o passar dos anos descobri e compreendi melhor esta minha relação com o desenho. O porque que tudo o que faço é pensando em desenho, ou me faz pensar em desenho.

Se estudarmos a fundo a origem, o sentido e o significado da palavra desenho, podemos compreender que este mesmo ato de pensar é desenho, ou seja, desenhar, planejar.

No final das contas, se formos estudar diferentes linhas de conhecimento vamos perceber que falam deste mesmo ato de planejar:
Na filosofia da arte é o plano das idéias (o plano mental) de onde deriva a idéia original de qualquer coisa manifestada, do qual o artista tem a capacidade de acessá-lo e pela sua autonomia reproduzir e materializar esta idéia original.
No espiritismo Kardek diria "não faças nada sem que antes tenhas a cosncciencia em Deus". Esta pode ser uma das interpretações.
Já sun Tzu na "Arte da guerra" diria: Sobressai-se me resolver as dificuldades quem as resolve antes que apareça. Isso é estratégia, ou planejamento, ou desenho.

Abstrações a parte sobre o assunto, temos o que no cinema ou no teatro se chama de "desenho sonoro" ou no inglês "sound design". A escrita em si é também um desenho, um conjunto de signos (de-signo, ou design) e simbolos que representam algo. E que ainda nos prospecta a desenhar algo mentalmente, ou a acessar quem sabe um a idéia original daquela história, daquele poema, num plano onde não há distinção entre som, imagem, ou muito menos diferenças de linguagem, pois na essência de tudo é uma e vem de uma coisa só, de uma mesma origem. As palavras, as imagens, os sons, são apenas abstrações, divisões que se faz necessária para o entendimento, assim como a Luz que atravessa um prima se fragmenta em diversas frequencias diferenciando assim as cores uma das outras.

Foi compreendendo tudo isso que entendi esta minha, não digo mais obsessão, mas naturalidade para a abstração do desenho. Seja, quando escuto uma musica ou um som e vejo uma imagem, ou quando vejo uma imagem e compreendo o seu som, a sua musica...

E assim eu vou planejando, ou melhor, desenhando o meu destino ou designo, e deixando a minha marca no papel seja ele palpável ou não (mental), é assim que eu compreendo a minha relação com o desenho numa visão mais ampla do que é o mesmo.

O ciclo que se encerra já foi desenhado, inacabado talvez, mas, agora, o que importa são os novos desenhos que podem ou não, mas que devem ser feito, desenhado, planejado... O segredo para se executar um bom desenho é tê-lo bem estruturado na sua mente antes de iniciá-lo no papel, na vida. O nome disso é estratégia, planejamento, desenho, destino, designo.







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